Quanto rende a poupança em 2026? A conta completa — e quanto você deixa na mesa

Quanto rende a poupança hoje? Resposta direta: 8,32% nos últimos 12 meses. No mesmo período, o CDI — a taxa que serve de referência para os investimentos mais simples de renda fixa — acumulou 14,78%, segundo dados do Banco Central do Brasil atualizados em julho de 2026.

Em outras palavras: quem deixou dinheiro na poupança ganhou pouco mais da metade do que ganharia no investimento mais básico que existe fora dela. E o detalhe mais curioso: os dois têm a mesma segurança e podem ser resgatados a qualquer momento.

Neste artigo, vou fazer a conta completa — em reais, já descontando o imposto —, desmontar os três mitos que sustentam a caderneta e mostrar o passo a passo para corrigir isso sem abrir mão de segurança nem de liquidez.

Como a poupança rende: a regra que pouca gente conhece

Desde maio de 2012, a poupança tem duas regras de remuneração, definidas em função da taxa Selic:

  • Selic acima de 8,5% ao ano (cenário atual — ela está em 14,25%): a poupança paga 0,5% ao mês + TR (Taxa Referencial);

  • Selic igual ou abaixo de 8,5%: a poupança paga 70% da Selic + TR.

Com a TR atual, o rendimento fica em torno de 0,67% ao mês — que compõem os 8,32% acumulados em 12 meses. Repare no detalhe importante: não importa o quanto a Selic suba, a poupança fica travada nos 0,5% ao mês + TR. O Brasil atravessou os últimos anos com uma das taxas de juros mais altas do mundo, e quem estava na poupança ficou de fora dessa remuneração — por regra, não por azar.

A comparação em reais: poupança vs CDB 100% do CDI

Para a comparação ser justa, vamos usar o exemplo mais simples e acessível possível: um CDB que paga 100% do CDI, com liquidez diária, disponível em praticamente qualquer corretora ou banco digital — o tipo de produto que expliquei em detalhes no artigo sobre o que é CDB e como funciona.

‍ Os valores abaixo consideram os últimos 12 meses e já descontam o Imposto de Renda do CDB (alíquota de 17,5% para aplicações mantidas por mais de um ano):

Valor aplicadoPoupança (12 meses)CDB 100% CDI, líquido de IRDiferença
R$ 10.000R$ 832R$ 1.219+R$ 387
R$ 50.000R$ 4.159R$ 6.097+R$ 1.938
R$ 100.000R$ 8.318R$ 12.194+R$ 3.876

Quem manteve R$ 100 mil na poupança no último ano abriu mão de quase R$ 4 mil — já livres de imposto. É uma viagem em família, um semestre de escola, um reforço relevante na aposentadoria... evaporando em silêncio, ano após ano. E como a diferença é percentual, ela cresce junto com o patrimônio.

O efeito no longo prazo: quando a diferença vira patrimônio

A tabela acima mostra a perda de um ano. Mas o verdadeiro custo da poupança aparece quando os juros compostos entram em cena — porque a diferença de rendimento também rende, ano após ano.

Mantidas as taxas atuais (apenas como ilustração — juros mudam ao longo do tempo), os mesmos R$ 100 mil se comportariam assim:

  • Em 10 anos: cerca de R$ 222 mil na poupança contra R$ 316 mil no CDB líquido de IR — diferença de R$ 94 mil;

  • Em 20 anos: cerca de R$ 495 mil na poupança contra R$ 998 mil no CDB — diferença de R$ 503 mil. O dinheiro fora da caderneta praticamente dobra em relação ao que ficou nela.

Não é exagero dizer que, no longo prazo, a escolha entre a poupança e uma alternativa simples de mesma segurança pode significar a diferença entre uma aposentadoria apertada e uma aposentadoria tranquila. E repare: sem correr um grama de risco a mais.

Mito 1: "Mas a poupança é isenta de Imposto de Renda"

É o argumento mais usado para defender a caderneta — e é verdadeiro, porém incompleto. A isenção só compensaria se o rendimento bruto fosse próximo ao das alternativas. Não é: a tabela acima compara o CDB depois do imposto, e ele ainda entrega em torno de 45% a mais.

Isenção de imposto sobre um rendimento baixo continua sendo um rendimento baixo. O que importa não é a alíquota — é o que sobra no seu bolso.

Mito 2: "A poupança é mais segura"

O CDB tem exatamente a mesma proteção da poupança: a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, com limite global de R$ 1 milhão renovado a cada 4 anos.

Ou seja: não se trata de trocar segurança por rentabilidade. Nos dois casos, o mecanismo de proteção em caso de quebra da instituição é o mesmo. O Tesouro Selic, outra alternativa comum à poupança, vai além: tem a garantia direta do Tesouro Nacional, considerada a mais sólida do país.

Mito 3: "Na poupança o dinheiro está sempre disponível"

Aqui a poupança na verdade perde da alternativa — e muita gente não sabe. A caderneta só credita rendimento na "data de aniversário" mensal de cada depósito. Se você sacar um dia antes do aniversário, perde o mês inteiro de rendimento daquele valor.

Um CDB de liquidez diária, por outro lado, rende todos os dias úteis. Você pode resgatar quando quiser, levando o rendimento proporcional ao período em que o dinheiro ficou aplicado. Dinheiro sacado da poupança no dia errado rendeu zero; dinheiro sacado de um CDB de liquidez diária rendeu até a véspera.

Então por que tanto dinheiro continua na poupança?

Não é porque alguém a recomenda — hoje, nem os bancos fazem isso ativamente. É por inércia. Edição após edição, o Raio X do Investidor Brasileiro (ANBIMA/Datafolha) mostra a poupança como o produto financeiro mais utilizado no país, à frente de qualquer outra aplicação. A caderneta foi a porta de entrada financeira de gerações de brasileiros: é o lugar "onde sempre se guardou dinheiro", não exige decisão, não exige aprendizado.

E é exatamente assim que ela cobra seu preço — não em tarifa visível, mas em rendimento que deixa de acontecer enquanto ninguém está olhando. Contra a inércia, o antídoto é simples: fazer a conta uma única vez (como fizemos acima) e agir uma única vez. A partir daí, o dinheiro trabalha sozinho — só que no ritmo certo.

O que fazer com o dinheiro que está na poupança: passo a passo

1. Não precisa de pressa nem de produto sofisticado. A correção da distorção não exige conhecimento avançado: um Tesouro Selic ou um CDB de liquidez diária de instituição sólida já resolve a maior parte do problema, mantendo segurança e liquidez.

2. Comece pela reserva de emergência. Antes de pensar em rentabilidade máxima, garanta o colchão de segurança — explico quanto guardar e onde deixar no artigo sobre reserva de emergência. Reserva pede liquidez e previsibilidade, não promessa de retorno alto.

3. Abra conta em uma corretora (é gratuito). O acesso aos CDBs, LCIs e ao Tesouro Direto passa por aí. O processo leva minutos e não há custo de manutenção nas principais instituições.

4. Migre aos poucos, se preferir. Não existe obrigação de mover tudo de uma vez. Transferir metade e acompanhar por dois ou três meses é uma forma legítima de ganhar confiança no processo.

5. Só depois pense em diversificar. Prazos mais longos, renda variável e estratégias mais elaboradas vêm depois do básico bem-feito — de preferência com um plano alinhado aos seus objetivos, como mostro no guia de como começar a investir do zero.

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Perguntas frequentes

Quanto rende a poupança por mês em 2026? Cerca de 0,67% ao mês (0,5% fixos + TR), o que acumulou 8,32% nos últimos 12 meses. O valor exato varia levemente com a TR de cada período.

A poupança rende mais que a inflação? Depende do período. Em anos de inflação alta, a poupança frequentemente perde poder de compra — foi o caso de 2021, quando rendeu 2,99% com inflação acima de 10%. Mesmo quando ganha da inflação, costuma render bem menos que as alternativas de mesma segurança.

Poupança antiga rende diferente? Sim. Depósitos feitos até 3 de maio de 2012 seguem a regra antiga (0,5% ao mês + TR sempre, independentemente da Selic). A regra nova vale para depósitos a partir de 4 de maio de 2012.

O que rende mais que a poupança com a mesma segurança? CDBs de liquidez diária (garantia FGC, mesma da poupança) e Tesouro Selic (garantia do Tesouro Nacional) são as alternativas diretas. Nos últimos 12 meses, um CDB a 100% do CDI rendeu cerca de 45% a mais que a poupança, mesmo depois do Imposto de Renda.

Vale a pena sacar tudo da poupança de uma vez? Se o destino for um investimento de mesma liquidez e segurança, não há razão técnica para esperar — mas atenção à data de aniversário: sacar um dia antes dela perde o rendimento do mês. Migrar logo após o aniversário de cada depósito evita essa perda.

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Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem considerar o perfil, os objetivos e o horizonte de tempo de cada investidor.

Leia também:

Fontes:

  • Banco Central do Brasil — remuneração da poupança e histórico da Selic — bcb.gov.br

  • B3 / Cetip — Taxa DI acumulada 12 meses (14,78%, julho de 2026)

  • Fundo Garantidor de Créditos — cobertura e limites — fgc.org.br

  • Raio X do Investidor Brasileiro, 9ª edição — ANBIMA/Datafolha, 2025


Sobre o autor: Alexsandro Nishimura é economista, assessor de investimentos na Taurus Investimentos (escritório credenciado ao BTG Pactual) e planejador financeiro pessoal certificado CFP® pela Planejar. Atua com posicionamento anti-hype, focado em transformar trabalho em patrimônio com transparência sobre modelos de remuneração.

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